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PAÍS CORRE O RISCO DE NOVO “APAGÃO”, DIZ ANALISTA

São Paulo

Já nos primeiros dias de 2008 aumentam as discussões sobre o período crítico para o setor energético brasileiro. Segundo analistas, entre 2008 e 2010 o País corre o risco de enfrentar um novo “apagão”, caso não ocorra um volume de chuva suficiente, principalmente na região Sudeste, considerada a caixa d’água do País. Essa falta de chuva está diretamente ligada ao fenômeno La Niña, garante o meteorologista da Climatempo, Marcelo Pinheiro. “O mês de Janeiro começou atípico, se comparado com o de 2007. No dia 31 de dezembro, em São Paulo, a temperatura atingiu os 34.8 graus centígrados”, afirma.

Outro agravante para um possível racionamento é o aumento no consumo de energia elétrica, principalmente nos setores industrial e residencial. Para completar o quadro, existe a possibilidade de faltar gás natural utilizado para abastecer usinas térmicas. “Estes são sinalizadores de que estamos num momento delicado. Em curto prazo, não podemos construir usinas hidrelétricas e nem depender da energia gerada através de fontes alternativas. A quantidade é insuficiente para atender a demanda”, explica.

Para a Goreth Paulo, coordenadora do núcleo de energia da Fundação Getúlio Vargas, é preciso fechar dois pontos importantes para garantir o abastecimento no período critico – 2008 a 2010. “A visão de que precisamos com a máxima urgência de investimentos tem que ser ampliada. Existem questões, como as ambientais, que ainda estão em discussão e colocam o País no sinal amarelo, ou seja, alerta”, afirma.

Volume dos reservatórios

De acordo com o boletim do último domingo [06/01/2008] do Operador Nacional de Sistema (ONS), no Sudeste e Centro-Oeste, os reservatórios atingem 44,9% do volume, com queda de 0,1% em relação ao dia anterior. O índice está em 5,6% acima da curva de aversão ao risco. As usinas dessas regiões, Itumbiara e Jaguari, operam com 39,51% e 47,86% respectivamente. Um quadro preocupante para o Sudeste, segundo o meteorologista da Climatempo.

“O tempo permanecerá seco. Existe um bloqueio que impede a chegada de uma frente fria e com isso mais chuva” , explica.

Na região Sul, pelo menos por enquanto, os reservatórios estão com volume satisfatório e atingem 74,3% do acumulado, com alta de 0,6%.

O índice está 53,1% acima da curva de aversão ao risco. A hidrelétrica de Passo Fundo trabalha com 85,89% da capacidade armazenada.

Na região Nordeste, os reservatórios registraram 27% do volume, mantendo-se estável. O índice está 17% acima da curva de aversão ao risco. A usina de Sobradinho (BA) opera com 18,46% da capacidade.

Na região Norte, o nível dos reservatórios chega a 30% mantendo-se estável. A hidrelétrica de Tucuruí trabalha com 23,53% da capacidade de armazenamento.

Nas mãos da Bolívia

Se a geração de energia elétrica através de fonte hídrica ficar comprometida, existe a possibilidade da entrada em funcionamento das termelétricas, uma decisão que deverá ser tomada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), junto com o Operador Nacional do Sistema. Mas, para isso, será preciso a garantia de fornecimento do insumo, o que colocaria o Brasil novamente nas mãos da Bolívia.

No estado de São Paulo, após recente ameaça do governo boliviano de reduzir a oferta de gás natural para Brasil e Argentina, o diretor vice-presidente da Companhia Paulista de Gás (Comgás),Sérgio Luiz da Silva, tranquilizou o mercado, informando que não há nenhum risco de desabastecimento de gás para seus clientes. “A redução anunciada pelo governo boliviano não afetará o abastecimento da empresa”, disse.

De acordo com a Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), atualmente o Brasil precisa de 300 MW para suprir a demanda de todo este ano e outros 800 MW para 2009.

Para garantiar a geração, os reservatórios precisam estar com o limete mínimo de 53% de sua capacidade para funcionar tranquilamente. Em caso de baixar a 36% - a quantidade mínima - o abastecimento fica comprometido, com possibilidade de danos aos equipamentos geradores. Nesse índice, ocorrem também picos, com quedas alternadas da energia.

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